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Palácio de Seteais
Santuários, Castelos e Monumentos
Memória descritiva

Implantado majestosamente num local paisagístico por excelência - um verdadeiro miradouro de Sintra -, ergue-se Seteais, uma belíssima construção civil setecentista edificada, por Gildemeester, durante o período pombalino.

O corpo do lado oriental, acrescentado ao conjunto pelo V Marquês de Marialva, em estilo predominantemente neo-clássico, muito contribuiu tal como o imponente arco central de triunfo, para a unidade global do edifício.

São dignas de mérito algumas particularidades da construção - sistema de alhetas ou contracunhais: frisos desnivelados e quebrados: e a platibanda, desequilibrada e alta do jardim de buxo -, as quais, aliadas à implantação em U do imóvel, fazem deste palácio um monumento único no panorama arquitectónico sintrense.

Numa construção deste tipo, torna-se extremamente difícil definir uma linha arquitectónica única. Até porque e apesar da escassa documentação relativa à sua edificação e decoração interior, denotam-se características de vários estilos, sobressaindo do conjunto fortes influências inglesas próximas dos projectos de William Elsden.

Autêntico ex-libris de Seteais, o soberbo arco triunfal atribuído a Francisco Leal Garcia, culmina num frontão imaginário, encimado por um medalhão de bronze onde se patenteiam as efígies de D. João VI e de D, Carlota Joaquina, inscrevendo-se, logo abaixo e numa bem proporcionada cartela, uma epígrafe dedicada ao Príncipe Regente.

O majestoso equilíbrio de toda a fachada reside, sobretudo, na indução de escala e traçados geométricos clássicos, sublinhados pelas linhas de força das cimalhas.

De cada lado do arco triunfal, um par de bustos pétreos remata ambas as fachadas simétricas do edifício, intercalando-se com grinaldas e vasos que, em conjunto, ornamentam todo o ático.

Os interiores, na sua maior parte revestidos de sedas e mobílias, apresentam bom gosto, realçando-se os magníficos frescos do andar nobre, atribuído aos discípulos de Jean Pillement, ou até mesmo ao próprio pintor, dada a pureza das suas linhas. Na sala de jantar, encontramos uma exuberante vegetação exótica, em que se debatem sereias e tritões. No salão menor, são já as paisagens “rocailles”, onde brincam crianças, engalanadas por representações de reposteiros de estilo neo-clássico e por passamanarias ao gosto chinês.

Uma palavra ainda para o majestoso jardim de buxo, para o verdejante, campo relvado frontal, para os inúmeros terraços, pombal, mirante e, ainda - realce-se - o famoso “Penedo da Saudade”, o que tudo transforma este espaço num conjunto verdadeiramente admirável.

Memória histórica

O nome de Seteais deve-se, segundo uma antiga lenda, ao facto de naquele local, ao dizer-se “ai”, o seu eco se repetir por sete vezes.

Mas, debruçando-nos sobre a extensa documentação relativa ao Campo de Seteais, conservada no Arquivo Histórico de Sintra, poderemos antes deduzir que Seteais deriva de Centeais (terra de centeio), tal como se escrevia e dizia outrora.
Nos finais do século XVIII, Daniel Gildmeester, então cônsul da Holanda em Portugal, comprou, no fim do Campo do Alardo (Seteais), uns terrenos de «ginjais e serrados» onde mandou edificar uma casa para habitação.

Construiu, assim, a ala esquerda do actual Palácio de Seteais, bem conto algumas dependências anexas.

Algum tempo depois, mais precisamente no ano de 1800, a Quinta de Seteais é adquirida por D. Diogo José Vito Noronha Coutinho, V Marquês de Marialva, o qual acrescentou ao alinhamento do palácio uma nova ala de aposentos pala a família. Por fim, uniu estas duas construções através de um magnífico e elegante arco triunfal, facto que imprimiu à fachada principal uma simetria deveras imponente.

Do casamento de D. Diogo José com D. Margarida Caetano de Lorena, filha do IV Duque do Cadaval, nasceram quatro filhos, a mais nova dos quais - Joaquina de Menezes - sucedeu ao Marquês na posse de Seteais.

D. Joaquina, mais tarde Marquesa do Louriçal, morre viúva em 1846, sem deixar ascendência ou descendência, pelo que toda a sua propriedade sintrense passa para seu sobrinho, D. Nuno José de Moura Barreto, I Duque de Loulé e futuro Grão-Mestre da Maçonaria Portuguesa.

Durante toda a segunda metade do século XIX e primeiro quartel do século XX, o palácio conheceu vários proprietários, encontrando-se actualmente na posse do Estado Português.

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